sexta-feira, 4 de abril de 2014

Para compreender um pouco por que lutamos



A exploração do serviço de transporte público é uma oportunidade de negócios imensa para que empresários milionários fiquem cada vez mais ricos. Se pensarmos na situação de Marília estima-se que, pelo menos, 50 mil pessoas utilizem o serviço diariamente. A soma de todas essas passagens dá um total de R$ 107.500 por dia. Por mês isso dá um montante equivalente a R$ 3.225.000 reais. Por ano, R$ 38.700.000. Tudo isso, calculado com a tarifa no valor de R$ 2,15! Se fosse R$2,50, o valor saltaria para R$ 45.000.000.
 
Não é atoa que uma novela que envolve a disputa entre as empresas que vão prestar esse serviço se desenrola em Marília a mais de oito anos. Em meio a disputas judiciais, acusações mútuas, suspeitas de envolvimento com o poder público, no ano passado duas novas empresas (Viação Sorriso de Marília e a Grande Marília) assumiram o controle dessa prestação de serviços através de um processo licitatório. Ambas as empresas, para vencer a concorrência com outras que também disputavam o processo, colocaram como proposta de tarifa o preço de R$ 2,15, diminuindo assim, a tarifa antiga (R$2,30) em R$ 0,15. Assim, no mesmo período em que as empresas assumiram o controle do serviço o prefeito decretou a diminuição da tarifa para R$2,15, afirmando estar a, “homenagear toda a população trabalhadora que usa o transporte público”. 
 
Contudo, no dia 1º de março de 2014, dez meses após ter decretado a diminuição da tarifa o prefeito, Vinicius Camarinha, decidiu não mais “homenagear os trabalhadores” e assinou um novo decreto onde aprovava o aumento do valor da tarifa de ônibus de R$ 2,15 para R$ 2,50. O argumento da prefeitura foi de que o valor requisitado pelas empresas de ônibus era de R$ 3,17, mas que, o prefeito, em “diálogo com a população”, optou por um valor menor, de R$ 2,50. Empresas e prefeito nem fazem questão de esconder a farsa. As empresas fazem uma proposta absurda e irreal, que nunca iriam acontecer senão por debaixo de grandes protestos (de aumento de 1 real na passagem) e o prefeito decreta um aumento menor, passando a imagem de que ele se importa com a população e que quer fazer o melhor para ela, como ele fez a um ano atrás.
 
Na verdade, tudo que o prefeito e as empresas de ônibus fizeram até agora pode ser chamado de qualquer coisa, menos de “diálogo da prefeitura com a população”. Os itinerários dos ônibus são constantemente questionados pelas pessoas que necessitam do serviço e não vêm mais ele passando perto de suas moradias e locais de trabalho. O tão aclamado “fim das lotações” nunca aconteceu de fato e para piorar a situação agora o serviço fica mais caro.
O PCB vem participando das Lutas pelo transporte público em Marília e no país inteiro há vários anos sempre denunciando os grandes conglomerados de empresas que se dividem pelo país inteiro explorando o povo trabalhador, lucrando milhões de reais em suas costas. Por conta disso é que compomos a Frente Popular de Lutas. Para auxiliar na construção de um grande movimento popular que realmente defenda os interesses do povo trabalhador contra os interesses privados das empresas e da “oligarquia Camarinha”.
 
Até agora a Frente Popular de Lutas mobilizou a população mariliense, principalmente, para que esse aumento no preço da passagem seja revogado. Mas nunca podemos deixar de lembrar que a necessidade da luta pela a passagem demonstra também a necessidade da luta por outras questões que estão diretamente ligadas aos interesses dos trabalhadores marilienses. Questões, como a falta de médicos e de estrutura nas unidades de saúde, o problema de abastecimento de água na cidade e a situação dos servidores públicos municipais, são exemplos que se estendem por diversos anos e que não serão resolvidos pela corja política que domina o poder político da cidade, a menos que eles estejam de fato sendo pressionados pelos trabalhadores e pelas populações mais pobres na rua.

LUTAR, CRIAR, PODER POPULAR!


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