A exploração do serviço de transporte público é uma oportunidade
de negócios imensa para que empresários milionários fiquem cada vez mais ricos.
Se pensarmos na situação de Marília estima-se que, pelo menos, 50 mil pessoas
utilizem o serviço diariamente. A soma de todas essas passagens dá um total de
R$ 107.500 por dia. Por mês isso dá um montante equivalente a R$ 3.225.000
reais. Por ano, R$ 38.700.000. Tudo isso, calculado com a tarifa no valor de R$
2,15! Se fosse R$2,50, o valor saltaria para R$ 45.000.000.
Não é atoa que uma novela
que envolve a disputa entre as empresas que vão prestar esse serviço se
desenrola em Marília a mais de oito anos. Em meio a disputas judiciais,
acusações mútuas, suspeitas de envolvimento com o poder público, no ano passado
duas novas empresas (Viação Sorriso de Marília e a Grande Marília) assumiram o
controle dessa prestação de serviços através de um processo licitatório. Ambas
as empresas, para vencer a concorrência com outras que também disputavam o
processo, colocaram como proposta de tarifa o preço de R$ 2,15, diminuindo
assim, a tarifa antiga (R$2,30) em R$ 0,15. Assim, no mesmo período em que as
empresas assumiram o controle do serviço o prefeito decretou a diminuição da
tarifa para R$2,15, afirmando estar a, “homenagear toda a população
trabalhadora que usa o transporte público”.
Contudo, no dia 1º de março
de 2014, dez meses após ter decretado a diminuição da tarifa o prefeito,
Vinicius Camarinha, decidiu não mais “homenagear os trabalhadores” e assinou um
novo decreto onde aprovava o aumento do valor da tarifa de ônibus de R$ 2,15
para R$ 2,50. O argumento da prefeitura foi de que o valor requisitado pelas
empresas de ônibus era de R$ 3,17, mas que, o prefeito, em “diálogo com a
população”, optou por um valor menor, de R$ 2,50. Empresas e prefeito nem fazem
questão de esconder a farsa. As empresas fazem uma proposta absurda e irreal,
que nunca iriam acontecer senão por debaixo de grandes protestos (de aumento de
1 real na passagem) e o prefeito decreta um aumento menor, passando a imagem de
que ele se importa com a população e que quer fazer o melhor para ela, como ele
fez a um ano atrás.
Na verdade, tudo que o
prefeito e as empresas de ônibus fizeram até agora pode ser chamado de qualquer
coisa, menos de “diálogo da prefeitura com a população”. Os itinerários dos
ônibus são constantemente questionados pelas pessoas que necessitam do serviço
e não vêm mais ele passando perto de suas moradias e locais de trabalho. O tão
aclamado “fim das lotações” nunca aconteceu de fato e para piorar a situação
agora o serviço fica mais caro.
O PCB
vem participando das Lutas pelo transporte público em Marília e no país inteiro
há vários anos sempre denunciando os grandes conglomerados de empresas que se
dividem pelo país inteiro explorando o povo trabalhador, lucrando milhões de
reais em suas costas. Por conta disso é que compomos a Frente Popular de Lutas.
Para auxiliar na construção de um grande movimento popular que realmente
defenda os interesses do povo trabalhador contra os interesses privados das
empresas e da “oligarquia Camarinha”.
Até agora a Frente Popular
de Lutas mobilizou a população mariliense, principalmente, para que esse
aumento no preço da passagem seja revogado. Mas nunca podemos deixar de lembrar
que a necessidade da luta pela a passagem demonstra também a necessidade da
luta por outras questões que estão diretamente ligadas aos interesses dos
trabalhadores marilienses. Questões, como a falta de médicos e de estrutura nas
unidades de saúde, o problema de abastecimento de água na cidade e a situação
dos servidores públicos municipais, são exemplos que se estendem por diversos
anos e que não serão resolvidos pela corja política que domina o poder político
da cidade, a menos que eles estejam de fato sendo pressionados pelos
trabalhadores e pelas populações mais pobres na rua.
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