quinta-feira, 10 de abril de 2014

Dica cultura da semana: Filme - O conflito das águas (2010)

Conflito das Águas (2010) - 103 min. Dirigido por Icíar Bollaín



Uma equipe de filmagem espanhola pretende realizar uma produção sobre o início da colonização nas Américas, dando destaque à figura do frade dominicano António de Montesinos, que pretendia combater os atos dos colonizadores contra a população indígena. Seria, para o diretor da obra, a valorização do humanismo, um exemplo retirado do passado extremamente necessário nos dias de hoje, em que o individualismo impera.

Como o filme é uma mercadoria, e a lógica do mercado dita a necessidade de retirar-lhe alguma renda, ele não será gravado na Espanha, ou nos Estados Unidos, com seus estúdios de ponta. Será gravado em Cochabamba, na Bolívia, onde os custos da produção são bem mais em conta. Incluem-se, aqui, os gastos com figurantes, todas pessoas da região.

Pois bem, essas mesmas pessoas sofrem, no período das gravações, com a consequências da privatização do sistema de água. A empresa estrangeira que administra o serviço não permite nenhuma obra popular de canalização da água ou da feitura de poços, nem mesmo o aproveitamento da água da chuva.

As mobilizações contra esses limites postos pela empresa de águas da região, naquilo que ficou conhecido na história como "A guerra da água" envolvem também os atores, afetando as gravações do filme.

A lógica do mercado exige a continuação das filmagens e a consolidação da privatização da água. A luta se faz necessária. Mas qual a posição a ser tomada pela equipe de filmagem, que tanto preza por um exemplo humanista, mas cuja razão de ser daquele momento é simplesmente terminar o seu trabalho?

O filme trata da questão do engajamento, ou seja, da tomada de posição diante do reconhecimento de um problema que interessa a mais de uma pessoa. No seu caso específico, a falta d'água. Para além da ficção, “A guerra da água” representou o início da mobilização popular boliviana que afastou as grandes corporações do controle dos serviços essenciais, retornando-as ao poder público, gestionado não mais sem a participação popular. Uma lição que poderia ser posta em prática também em nossa cidade.
 


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