Um dos meios pelo qual o fenômeno ideológico
se materializa é na questão de observar o mundo de maneira invertida. Quando se
fala isso não é simplesmente observar o mundo de ponta cabeça, mas sim não
apreender a realidade com os olhos da sua realidade e sim de outro.
Simplificando um pouco as coisas, aquilo que Marx chama de alienação.
Nesse caso, e como demonstra a charge
a baixo, a classe dominante dentro de um modo de produção (a classe que possui
os meios de produção de uma sociedade), para constituir sua “dominação”
completa sobre a classe explorada (a que não detém os meios de produção e por
isso mesmo é obrigada, a vender para sobreviver a única coisa que detém que é a
sua força de trabalho), faz com que a classe explorada olhe o mundo, não a
partir de sua própria lógica, mas sim pela lógica da classe dominante.
Ao fazer isso, a classe explorada
(trabalhadora) deixa de lutar contra sua própria exploração, e passa a defender
o programa da própria burguesia, deixando de lado todo o seu potencial
revolucionário. Como dizia Marx, a classe trabalhadora não tem nada à perder a
não ser os seu grilhões. Sabendo disso a burguesia tenta por vários meios – e o
discurso ideológico, talvez seja o mais sutil – dominar os trabalhadores.
Ainda bem que como a charge demonstra,
os trabalhadores sejam cientes de seu potencial, ou em níveis primários de
revolta, ousa pensar diferente do que a ideologia dominante processa.
A charge é de Angeli.

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