A dica
cultural do PCB-Marília tem haver com o período do regime militar brasileiro.
As
indicações de filmes sobre o período foram organizadas para demonstrar alguns
pontos importantes para seu entendimento. É preciso salientar que a ditadura,
estabelecida por um golpe de estado, não foi algo surgido do nada, como um raio
num dia de sol azul. Ele foi uma resposta de um grupo social que via seus
interesses de classe em perigo naquele momento. No caso, a burguesia nacional e
todos os outros grupos que se filiavam em interesses comuns percebiam que as
transformações que surgiam no país com o processo de industrialização iniciado
por Getúlio Vargas prejudicavam as instituições que garantiam seu poder,
político e econômico, em nosso país. Combinados com ajuda estrangeira, também
interessada na manutenção da condição subdesenvolvida do Brasil, o golpe é
efetivado, não apenas pelos militares, mas com amplo apoio de setores do
empresariado. A ditadura, ao contrário do que alguns pensam, não era desprovida
de uma ideologia política: ela expressava um interesse de classe burguês,
independentemente dos conflitos que pudessem haver entre empresários e
militares.
Vamos assistir e debater!
Os anos JK - Uma Trajetória Política (1980)
- 110 min. Dirigido por Silvio Tendler
Depois do suicídio de Getúlio Vargas, em 1954, a crise política que ameaçava com um golpe a política nacional se arrefece, mas não por muito tempo. Depois da posse do presidente eleito, Juscelino Kubitschek, que prometia democracia e desenvolvimento, um novo período parecia se desenhar no horizonte político brasileiro. Mas o potencial positivo dos anos JK foi sendo obscurecido pela tendência reacionária da burguesia nacional, indisposta a aceitar um padrão de desenvolvimento cada vez mais independente dos interesses externos que mantinham seu modo de vida portentoso.
Jango (1984) - 115 min. Dirigido por Silvio
Tendler
O documentário narra a trajetória política de João Belchior Goulart, o Jango, enfocando especialmente em seus momentos enquanto ministro do trabalho de Vargas, na vice-presidência da República e quando assume o cargo de presidente depois da renúncia de Jânio Quadros. A tendência reacionária da burguesia que já se manifestava no governo de JK se mostra cada vez mais explícita, principalmente pela aproximação de Jango com correntes políticas de esquerda, algo que o governo anterior, mesmo com sua política econômica mais progressista, não tinha realizado. Tanto que as consequências do posicionamento de Jango levaram os setores ligados à burguesia a realizarem o golpe, no ano de 1964.
O documentário narra a trajetória política de João Belchior Goulart, o Jango, enfocando especialmente em seus momentos enquanto ministro do trabalho de Vargas, na vice-presidência da República e quando assume o cargo de presidente depois da renúncia de Jânio Quadros. A tendência reacionária da burguesia que já se manifestava no governo de JK se mostra cada vez mais explícita, principalmente pela aproximação de Jango com correntes políticas de esquerda, algo que o governo anterior, mesmo com sua política econômica mais progressista, não tinha realizado. Tanto que as consequências do posicionamento de Jango levaram os setores ligados à burguesia a realizarem o golpe, no ano de 1964.
Caparaó (2007) - 77 min. Dirigido por Flavio
Frederico
O documentário trata da primeira guerrilha rural do país, realizada na Serra do Caparaó, na divisa de Minas Gerais com Espírito Santo, contra a ditadura militar brasileira, após o golpe de 1964. Em agosto de 1966, um grupo de militantes, a maioria ex-militares, sargentos contrários à "linha-dura" do exército, organizados pelo Movimento Nacionalista Revolucionário (MRN), seguem para a serra para dar início a resistência. A guerrilha contou com o apoio financeiro cubano, obtido através de negociações entre Leonel Brizola, auxiliado pela Ação Popular (AP) e o governo de Cuba. Mesmo com o auxílio, a tentativa de implantação da guerrilha foi frustrada precocemente. Pois além da perseguição militar e policial, a inexperiência dos militantes para sobreviver no ambiente inóspito escolhido para a ação, a desconfiança dos camponeses e as divergências internas limitaram contundentemente as ações.
Cidadão Boilesen (2009) - 92 min. Dirigido
por Chaim Litewski
Este documentário revela as ligações de Henning Albert Boilesen (1916-1971), presidente do famoso grupo Ultra, da Ultragaz, e um famoso "cidadão de bem", com a ditadura militar, ajudando no financiamento da repressão violenta e também a sua participação na criação da temível Oban – Operação Bandeirante, espécie de pedra fundamental do Doi-Codi. Participação esta que combinava até mesmo sua presença direta em sessões de tortura. O documentário traz elementos que revelam a relação de civis com a ditadura, desmistificando a ideia de que o período de ingerência no Brasil fosse exclusivamente militar, como se não houvesse interesses de classe determinando suas ações.
Hércules 56 (2006) – 93 min.
Dirigido por Silvio Da-Rin
Em setembro de 1969, duas organizações revolucionárias brasileiras (ALN e MR-8), combatentes contra o regime militar, aliaram-se para raptar o embaixador dos EUA, Charles Burke Elbrick. O propósito da ação era a divulgação de uma manifesto revolucionário e a libertação de quinze presos políticos, representantes à época de todas as tendências políticas que combatiam a ditadura, extraditados ao México por um avião Hércules 56 da FAB. Para rememorar o episódio e discutir as causas e consequências da luta armada naquela época, o filme traz à cena os nove remanescentes do grupo de presos e promove o reencontro de cinco membros das organizações responsáveis pelo sequestro.
Eles Não Usam Black Tie (1982) - 120 min.
Dirigido por Leon Hirszman
O filme, adaptação de uma peça de Gianfrancesco Guarnieri. trata do período de organização do movimento operário paulista no período de abertura democrática. O jovem operário Tião, filho de um sindicalista, tem dificuldades de se aproximar do movimento sindical, cada vez mais ativo. Sua postura arredia se torna ainda mais enfática pelas respostas dadas às situações do cotidiano que surgem, especialmente a gravidez da namorada. Temendo perder o emprego na hora em que mais necessita dele, ele prefere a recusa do enfrentamento e a opção pela resignação. O filme retrata os desdobramentos dos enfrentamentos trabalhistas no período do regime militar, mas sinalizando algo básico: os conflitos trabalhistas são marcadamente de classe. Portanto, a repressão do regime representa sua tomada de partido em favor da manutenção das relações capitalistas, fazendo da luta por democracia uma bandeira da esquerda.
Cabra marcado para morrer (1985) - 119 min. Dirigido por Eduardo
Coutinho
A intenção inicial era realizar uma ficção
baseada no assassinato do líder camponês João Pedro Teixeira, presidente de uma
das Ligas Camponesas na Paraíba. Utilizando como atores os camponeses que
viviam na região da locação, o Engenho da Galileia, fazenda cooperativa. O
golpe militar interrompeu a filmagem, confiscando e destruindo várias cenas
gravadas. O novo filme renasce da filmagem dos encontros com Elizabeth, mulher
de João Pedro, e que participa das filmagens iniciais, a família dela e os
camponeses do Engenho Galileia, e por fragmentos do que pode ser salvo das
imagens da época. O documentário torna-se, assim, um filme sobre um filme de
ficção, sobre seus bastidores, o que remete a todo o processo histórico da
época.






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