terça-feira, 6 de maio de 2014

Charge do dia 05/05/2014 - Laerte Coutinho



Quando os comunistas falam de “burgueses” e “proletariado”, aparentemente é como se falassem de “categorias” do passado. Ficam perguntas no ar: “ainda existem trabalhadores de fábricas, com uniformes, que apenas apertam porcas e parafusos, tal qual o filme tempos modernos de Chaplin?” Ou então pensando no Brasil: “ainda há aqueles coronéis, tal qual expostos nos romances de Jorge Amado?”.

Muito dessa confusão, ideológica, parte da disseminação das ideias pós-modernas pelo mundo. Se durante a Guerra Fria (1945-1989) havia uma ofensiva dos Estados Unidos (se dizendo o líder do “Ocidente-Capitalista”) contra a URSS (União das Repúblicas Socialistas e Soviéticas, a “líder do mundo socialista”), que se pautava muito em uma luta política/militar/econômica. Mesmo durante a Guerra Fria, era preciso combater o perigo do “comunismo” de forma mais sutil, não pela força, mas também pelo “consenso”.

Como exposto na charge da semana passada, que tratava sobre a ideologia, houve também a ofensiva de parte ideológica contra o comunismo. Seja ao dar uma importância gritante ao período do chamado “stalinismo” na URSS. Seja na ofensiva daquilo que veio a ser conhecido como “pós-modernismo”. Dentro do pós-modernismo, tentou-se criar um pensamento sofisticado, que chega em alguns momentos a negar a razão (que foi a base do pensamento que a burguesia financiou no século XVIII para tomar o poder das mãos da nobreza).

Nesse interim, o pensamento pós-moderno tenta negar tradições teóricas do passado como o pensamento marxiano, (mas também de Max Weber e Durkeiheim). Tenta-se negar o marxismo, justamente afirmando o fim do “trabalho”, como se o “proletariado” aquela categoria que Marx cunhou – para a classe social que transforma o mundo nas mercadorias que consumimos todos os dias – houvesse morrido, dado lugar à lutas transversais, mas que no fim são demandas que dentro da lógica capitalista não podem ser resolvidas, ou até podem, desde que abra um novo campo de “mercado”.

A charge dessa semana mostra justamente, que essa tentativa de negar o passado, no fim termina por mostrar que aquilo que existia no passado, ainda existe hoje em dia, assumindo uma nova faceta, mas ainda exercendo sua função: no caso da burguesia, ser dona dos meios de produção e negar isso à classe trabalhadora, utilizando nesse processo de “negação” o Estado, materializado então nos políticos e no exército.

A charge é de Laerte Coutinho.

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