segunda-feira, 2 de junho de 2014

Charge do dia 02/06/2014 - Vitor Teixeira

Por mais que a história oficial insista em bater na tecla da imagem de que a história do Brasil é pacífica, de que todas as culturas se misturaram sem haver luta, ou mesmo que as classes subalternas não resistiram à processos de espoliação, a realidade concreta pontua exemplos que fogem dessa ação ideológica, que tenta calcar na classe trabalhadora a imagem de que ela não deve se revoltar.

Nossa colonização foi um processo violentíssimo de espoliação, seja a nível local com a escravização dos povos originários, ou mesmo sua aculturação aos costumes católicos/ibéricos, ou a um nível externo com a escravização dos africanos. Houve inúmeras revoltas de escravos e povos originários durante a colonização, assim como grandes greves no período anterior às greves do ABC em 1978, 1979 e 1980.

Também não é possível dizer que o “gigante acordou” durante as “jornadas de junho de 2013”, o Movimento dos trabalhadores rurais sem terra, o Movimento dos trabalhadores sem teto, movimento negro, de mulheres e LGBTT, e para não esquecer a classe trabalhadora, esteve na rua nesse período “obscuro” entre 1992 e 2013. E obteve importantes vitórias como barrar a entrada do Brasil na Área de Livre Comércio das Américas, a ALCA, ou então a privatização da Petrobras. A história da classe trabalhadora não começa com o PT em 1980, e a história das lutas da classe subalterna brasileira não começa nas diretas já, ou em junho de 2013.


A charge de hoje é de Vitor Teixeira. Feita após a batalha campal entre os índios e a polícia do Distrito Federal, por ocasião de um protesto dos indígenas contra o descaso do Governo do Partido dos Trabalhadores, na ocasião em que a taça da Copa do Mundo encontrava-se em exposição no Estádio Nacional Mané Garrincha em Brasília. A mídia fez um barulho enorme do ferimento causado por uma flecha em um policial, enquanto que o Estado, armado dos aparatos mais sofisticados não letais (ou letais), revidou de forma muito violenta, tanto que foi um milagre nenhum dos manifestantes ser ferido de forma mais grave, ou terminar massacrados que nem a charge retrata.

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