Por mais que a história oficial insista em bater na tecla da
imagem de que a história do Brasil é pacífica, de que todas as culturas se
misturaram sem haver luta, ou mesmo que as classes subalternas não resistiram à
processos de espoliação, a realidade concreta pontua exemplos que fogem dessa
ação ideológica, que tenta calcar na classe trabalhadora a imagem de que ela
não deve se revoltar.
Nossa colonização foi um processo violentíssimo de espoliação,
seja a nível local com a escravização dos povos originários, ou mesmo sua
aculturação aos costumes católicos/ibéricos, ou a um nível externo com a
escravização dos africanos. Houve inúmeras revoltas de escravos e povos
originários durante a colonização, assim como grandes greves no período
anterior às greves do ABC em 1978, 1979 e 1980.
Também não é possível dizer que o “gigante acordou” durante as “jornadas
de junho de 2013”, o Movimento dos trabalhadores rurais sem terra, o Movimento
dos trabalhadores sem teto, movimento negro, de mulheres e LGBTT, e para não esquecer
a classe trabalhadora, esteve na rua nesse período “obscuro” entre 1992 e 2013.
E obteve importantes vitórias como barrar a entrada do Brasil na Área de Livre
Comércio das Américas, a ALCA, ou então a privatização da Petrobras. A história
da classe trabalhadora não começa com o PT em 1980, e a história das lutas da
classe subalterna brasileira não começa nas diretas já, ou em junho de 2013.
A charge de hoje é de Vitor Teixeira. Feita após a batalha campal
entre os índios e a polícia do Distrito Federal, por ocasião de um protesto dos
indígenas contra o descaso do Governo do Partido dos Trabalhadores, na ocasião
em que a taça da Copa do Mundo encontrava-se em exposição no Estádio Nacional
Mané Garrincha em Brasília. A mídia fez um barulho enorme do ferimento causado
por uma flecha em um policial, enquanto que o Estado, armado dos aparatos mais
sofisticados não letais (ou letais), revidou de forma muito violenta, tanto que
foi um milagre nenhum dos manifestantes ser ferido de forma mais grave, ou
terminar massacrados que nem a charge retrata.

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